Vou dar um tempo com o blog.
(não que eu já não tenha dado)
Volto quando achar que vale a pena.
Literatura e crítica literária, música e quadrinhos.
Vou dar um tempo com o blog.
(não que eu já não tenha dado)
Volto quando achar que vale a pena.
Postado por Vinicius às 13:00 0 comentários
Aproveito pra avisar a todos que está no ar meu novo blog, em parceria com o Christian.
Chama-se Nocauteorum (o Roberto Drummond deu uma ajudinha pra escolher o nome). Lá vamos tratar de quadrinhos em geral e postar muita coisa nova, produção nossa, rascunhos, tirinhas, o diabo a quatro…
Linkem aí, vocês que se interessarem pelo assunto. Com certeza o trabalho por lá vai ser bem legal.
Postado por Vinicius às 02:32 1 comentários
Tags: quadrinhos
Meter o pau na poesia do Rilke é coisa pra quem é macho.
Melhor que isso só as Elegias de Duíno.
Ademais, tudo na mesma. Sinto falta de ouvir o canto do passarinho de fogo do Stravinsky, pra ser sincero.
A última vez que eu chorei igual a uma solteirona-vendo-Titanic foi quando vi O Segredo de Beethoven no cinema, e a cena da estréia da Nona é abobalhadamente romantizada, mas linda, porque o Beethoven se faz um grande homem até hollywoodianamente.
Já chorei mais de uma vez vendo a sinfônica, e geralmente foi com Beethoven, o carne-de-vaca. Outra vez foi com Liszt, outra eu não lembro.
É engraçado, porque ver a orquestra não é tipo assistir… vá lá, Titanic. Até porque o bonitão do momento – nesse caso o Beethoven, meu objeto retórico – já morreu faz tempo e todo mundo finalmente se conformou. Mas eu senti aquele momento com intensidade, e ouvi o contrafagote na Quinta como se fosse a primeira vez que eu ouvia essa sinfonia. Sério, nem o Coverdale falando “Baby, baby” com todas as suas forças me cativaria dessa maneira – nem mesmo a minha Joss, pra intensificar o efeito da afirmativa.
O que fazer, portanto, com a emoção que aflora dentro do ouvido teoricamente treinado de um músico? Basta conhecer os sistemas, as harmonias, os temas, as recorrências, os ABA’s, os andamentos, o contraponto? Ou será que eu sou um músico tongo que não encara a coisa cientificamente?
Como transformar lógica matemática em sentimento?
Vejamos o que um fulano disse por aí:
“Os desenhos do matemático, como os do pintor ou do poeta, devem ser belos; as idéias, como as cores ou as palavras, precisam entreligar-se de maneira harmoniosa. A beleza é a primeira prova: não há lugar permanente neste mundo para uma matemática feia”.
Legal, apesar de estar cheio de “matemática feia” por aí, já descobri que nenhuma delas é permanente. Um alívio! Bem que elas podiam sumir logo.
Voltando aos concertos, o que acontece é o seguinte. O engenho vivendo na composição musical é uma coisa fascinante. A técnica certamente dá conta de um aparato quase que totalmente capaz que fornecer a composição em si. A harmonia já é um sistema finito, uma sintaxe fechada que produz a infinitude. Como colocar, então, as “palavras” certas, já tendo o domínio da métrica? Você, sentado na sua poltroninha do teatro já sentiu isso? A avalanche com que um monstro do passado atinge plenamente o seu ser. Um fantasma vienense assombrando com vigor e crueldade o pequeno espectador latino-americano, que atende às lições, compreende as ordens do mestre, e parte vencido pela engenhosidade clássica-romântica. Nem todo compositor consegue tal efeito, senhoras e senhores.
Pergunto: como um conjunto de sons encadeados, simplesmente, pode suscitar emoções?
Salieri falava a língua musical. Ele, mais do que a grande maioria, entendia o que Mozart falava.
A resposta para a pergunta feita logo acima, em minha própria parte musical do ser, eu já obtive.
Rabisco mal-humoradinho de uns dias atrás. Inspirado no Sam, de Sam & Max.
Postado por Vinicius às 00:19 0 comentários
Tags: beethoven, cinema, literatura, música
Foda mesmo é sentar na frente do computador e não conseguir cuspir nem ao menos um “vamos lá que dá”. Algum comando na programação do meu cérebro foi alterado, o que resulta em produção de saliva em massa a cada vez que eu tenho a telinha à frente. O que acontece a seguir, geralmente, é um “vá dormir” ou “amanhã você estará com a cabeça mais fresca”, ou até mesmo um “Mousaón Helikoniádon arkhómeth’ aeídein”… Nada que me sirva muito na hora de trabalhar sério.
Acontece que trabalhar sério anda meio chato.
O Akira Toriyama é bem mais legal, os dias andam frios, os prazos curtos, pra quê me preocupar? To preguiçoso pacas meu! A cama da minha mulher é muito mais atraente que a cara feia do texto do T. E. ou do J.-L. N. Meu videogame ligou dizendo que tá com saudade, meus cds perguntaram por que não estão sendo buscados mais com tanta paixão, meus dvd’s brigam para serem assistidos, os livros de romance estão lá amontoados, tadinhos.
Minha criatividade para escrever trabalhos de fim de semestre brilhantes se tornou capacidade ativadora de música, o que me torna capaz de finalizar as minhas antigas peças para orquestra ou escrever um cd inteiro de funk-groove. Misteriosamente me tornei uma pessoa capaz também de pensar em escrever histórias em quadrinhos. A poesia anda meio de lado… Ela merece respeito e devoção ao ser manuseada.
Stress não é a resposta, eu sei que tudo vai passar. Aí nas férias vai me dar aquela saudadinha das disciplinas e eu vou me esquecer desse sofrimento que é não conseguir escrever coisas úteis ou analisar dados de gravações.
Enfim, fico tranquilão porque quando eu canto todo mundo fica feliz. Assim ganho um prazo que funciona como um cupom: “Vale dois meses de contentamento com o Vina”. É Vina, vai nessa e você já, já vai cantar e dançar.
Vou enfiar o dedo em alguma narina até alcançar o cérebro pra ter certeza que não soultou nenhum fio. (erro destacado que veio sem querer, mas mostrou o ato falho conveniente que corrobora o meu ponto no texto)
Se querem saber, vou pegar a minha malinha, minha amada e minhas HQ’s e vou fugir pra morar em algum canto da Toscana e escrever poesia. Mas até lá, como um bom sujeito “etimologicamente culto”, vou meter as mãos na massa (ah, se ela fosse quentinha…).
Postado por Vinicius às 23:41 0 comentários
Tags: moral, música, quadrinhos, rotina
É de costume que os dias sejam coisas difíceis com as quais tenho que lidar ultimamente. Eles vêm como jovens, com aquelas caras empipocadas com cheiro de puberdade, semblante de quem quer ser malvado e só consegue ser chato. Vêm dar berros do lado de fora das minhas pálpebras, e me tacam ovos ao que as abro, gritam insolências, verdades e desafios. Nunca posso mandá-los à merda. Enfrento sempre. É culpa da cultura da pós-modernidade que meus dias tornem-se ofensas na minha cara.
Durante o dia, enfim, aquilo, pessoa admirável: o chefe, simples d'alma, pessoa muitíssimo culta. Usa roupas caríssimas sempre que vai a concertos na casa de ópera. Gosta muito, já ouviu falar de Rossini, sua mulher está sempre deslumbrante em seus vestidos sempre novos. Encontra amigos da faculdade; todos sabem que frequenta eventos culturais, lê muitos livros e viajou pela Europa. Sabe cantarolar a quinta sinfonia e falar "eu te amo" em muitas línguas. Exclama alguma surpresa sempre que comentam sobre os best-sellers: já leu a todos (embora nunca lembre de nada direito quando perguntam-no). Tem um salário confortável, que o permite viver sem preocupações. Não gosta que seu filho leia quadrinhos mas não consegui impedi-lo de jogar aqueles malditos videogames. Instrui o garoto desde cedo a seguir carreira de administrador, como ele próprio. Impõe respeito a seus subordinados, pois tem o melhor cargo, o melhor computador do escritório e, pasmem, costuma trocar telefonemas com o governador em pessoa. Enfim, uma bela figura, esse meu chefe.
Considera horríveis as pessoas que frequentam bares, bebem e vivem às sombras da marginalidade. Esses pobres coitados nunca saberão o que é possuir o dom divino de Modigliani, um gênio, homem íntegro.
Sob seus comandos esplêndidos, tenho que me calar. Não sei nada de arte, e soube por sua boca que ninguém na história cantou mais que aquele do American Idol, interpretando alguma peça de um tal de Puccini. Descobri por ele que sax é um instrumento ridículo, que Wagner é muito barulhento e que Joyce é um autor mais-ou-menos. Um dia ele comentou que tem um blog. É um dos mais visitados do país, cheio de seguidores. Lá ele só escreve poesia de altíssima qualidade, e todos gostam, sempre. Vai publicar um livro um dia, que vai demorar pra ser lançado, mas o acerto com o amigo dono da editora tá fechado. Aposto que vai vender milhões. O preço vai ser camarada, afinal, todos devem ter acesso à arte, porque a arte é uma coisa importante, segundo ele. Bem, ele é o chefe né, não estudou muita arte, mas sendo um administrador de cargo importante, deve ter razão. Geralmente pessoas bem vestidas sabem muito de arte. Homem admirável esse.
Para mim é tudo difícil. Preciso da grana.
Um dia mando esse babaca à merda.
Postado por Vinicius às 23:02 2 comentários
"Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo."
Saramago, em seu blog.
"'Classic.' A book which people praise and don't read."
Mark Twain, não sei onde.
Postado por Vinicius às 12:17 0 comentários
Tags: literatura, moral, rotina
“(…)
- Vem cá, que cara é essa, filha? Relaxa, diz aí qual é o grilo.
- Comi uma criancinha.
- Putz grila meu... E aí?
- Aí que foi né. A gente tava lá e tal… Foi pintando aquela coisa, e quando eu vi já tinha ido.
- Caraca. E aí, teus pais sabem?
- Nem tive coragem ainda.
- Era bom contar logo hein. Não faz bem guardar essas coisas por muito tempo. Indigere, saca?
- Acho que eles me odeiam.
- Improvável.
- Colocariam a culpa em mim e diriam que sou imatura.
- Dá pra imaginar o porquê, flor. Agora entre nós, tava boa?
- A criança? Meio sem graça. Galega demais, sem muita vitamina.
- Tá deprê, filha?
- Nem, ninguém lá na minha turma já fez isso na vida. Eu fui a primeira, sim.
- Bonitinha você.
- Não sou criança tá?
- Claro. Você tem muitos amiguinhos na turminha?
- Não, são todos idiotas, e agora eu sou muito mais adulta que todos. Um dia vou socar aquela vaca…
- Calma, calma, toma aqui uma balinha. (dá a balinha) Gosta da titia?
- Aham! Te amo, dá mais uma."
Postado por Vinicius às 21:40 3 comentários
Tags: conto
